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1 de nov. de 2011
Série Parábolas de Jesus
As parábolas de Jesus
Lições que apagaram as luzes
É preciso dizer claramente que as parábolas foram destinadas a apagar as luzes de algumas pessoas. Estas histórias desconcertavam e incomodavam aquelas almas desonestas que estavam ansiosas por abusar de qualquer pequena verdade que parecesse filtrar até elas (Mateus 13:10-15; Marcos 4:11-12; Lucas 8:10). E não podemos pensar nelas como se fossem iletrados religiosos que eram moralmente depravados. Em seu número estavam as pessoas mais religiosas e aparentemente mais piedosas daquele tempo. Mas tinham projetos que diferiam do de Deus.
Depois que o Senhor ensinou sua grande parábola do Pastor e o aprisco, um discurso que parece ter feito no inverno que antecedeu a primavera de sua morte (João 10:1-18), seus críticos se queixaram de que seu ensinamento era obscuro e confuso e que ele deveria dizer-lhes em linguagem clara se ele era o Cristo ou não. A réplica de Jesus foi direta: Já lhes disse numa centena de modos, mas nenhuma delas será bastante, porque vocês simplesmente não acreditam; e não acreditam porque não são minhas ovelhas (10:24-26). O Filho de Deus não estava interessado em meter pela goela abaixo dos homens descrentes o que eles positivamente não queriam. Este grande Pastor estava chamando somente aqueles que queriam ouvir sua voz e segui-lo (10:27). Para os demais suas palavras seriam apenas palavrório sem significado; não porque o fossem, mas porque seus ouvidos carnais não afinavam com as coisas espirituais.
O mesmo ponto é convenientemente demonstrado por uma ocorrência durante o mesmo inverno: a cura pelo Senhor de um mendigo cego em Jerusalém, junto ao poço de Siloé (João 9). No começo, os críticos de Jesus buscaram febrilmente desacreditar esta cura notável (o homem tinha sido cego de nascença) como sendo uma artimanha. Mas, totalmente impedidos pelo testemunho dos pais do próprio homem, foram reduzidos a argumentar insensatamente que o que todos na cidade sabiam que tinha acontecido, não tinha acontecido realmente porque tinha sido feito no dia errado (no sábado) pelo homem errado (Jesus). Baseados em nada além de obstinação cega e inflexível, eles negavam o inegável. Jesus mais tarde teve de dizer-lhes: "Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos" (9:39). Seus críticos judeus, não tão obtusos que nada lhes penetrasse, finalmente pegaram o significado. "Acaso também nós somos cegos?" perguntaram. Ao que o Senhor replicou, "Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado" (9:40-41).
Como já temos observado, as parábolas de Jesus nunca apelavam muito para as pessoas que já se achavam sábias. Elas serviam simplesmente para apagar as pequenas luzes que tais pessoas tinham. Mas isso estava bem, porque o Senhor não o estava chamando, de qualquer modo, e o tempo havia chegado pelo terceiro ano do seu ministério público para afastar os eternos críticos, os curiosos, os freqüentadores habituais descuidados que não tinham real interesse no reino de Deus. Era chegada a hora quando os verdadeiros discípulos tinham que ser reunidos em volta dele e preparados para o inimaginável horror que viria.
Concordando, Edersheim (Life and Times of Jesus the Messiah, Vol. II, pág. 579, 580) classifica as parábolas de Jesus segundo uma escala contínua de crescente hostilidade dos seus oponentes:
Depois que o Senhor ensinou sua grande parábola do Pastor e o aprisco, um discurso que parece ter feito no inverno que antecedeu a primavera de sua morte (João 10:1-18), seus críticos se queixaram de que seu ensinamento era obscuro e confuso e que ele deveria dizer-lhes em linguagem clara se ele era o Cristo ou não. A réplica de Jesus foi direta: Já lhes disse numa centena de modos, mas nenhuma delas será bastante, porque vocês simplesmente não acreditam; e não acreditam porque não são minhas ovelhas (10:24-26). O Filho de Deus não estava interessado em meter pela goela abaixo dos homens descrentes o que eles positivamente não queriam. Este grande Pastor estava chamando somente aqueles que queriam ouvir sua voz e segui-lo (10:27). Para os demais suas palavras seriam apenas palavrório sem significado; não porque o fossem, mas porque seus ouvidos carnais não afinavam com as coisas espirituais.
O mesmo ponto é convenientemente demonstrado por uma ocorrência durante o mesmo inverno: a cura pelo Senhor de um mendigo cego em Jerusalém, junto ao poço de Siloé (João 9). No começo, os críticos de Jesus buscaram febrilmente desacreditar esta cura notável (o homem tinha sido cego de nascença) como sendo uma artimanha. Mas, totalmente impedidos pelo testemunho dos pais do próprio homem, foram reduzidos a argumentar insensatamente que o que todos na cidade sabiam que tinha acontecido, não tinha acontecido realmente porque tinha sido feito no dia errado (no sábado) pelo homem errado (Jesus). Baseados em nada além de obstinação cega e inflexível, eles negavam o inegável. Jesus mais tarde teve de dizer-lhes: "Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos" (9:39). Seus críticos judeus, não tão obtusos que nada lhes penetrasse, finalmente pegaram o significado. "Acaso também nós somos cegos?" perguntaram. Ao que o Senhor replicou, "Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado" (9:40-41).
Como já temos observado, as parábolas de Jesus nunca apelavam muito para as pessoas que já se achavam sábias. Elas serviam simplesmente para apagar as pequenas luzes que tais pessoas tinham. Mas isso estava bem, porque o Senhor não o estava chamando, de qualquer modo, e o tempo havia chegado pelo terceiro ano do seu ministério público para afastar os eternos críticos, os curiosos, os freqüentadores habituais descuidados que não tinham real interesse no reino de Deus. Era chegada a hora quando os verdadeiros discípulos tinham que ser reunidos em volta dele e preparados para o inimaginável horror que viria.
Concordando, Edersheim (Life and Times of Jesus the Messiah, Vol. II, pág. 579, 580) classifica as parábolas de Jesus segundo uma escala contínua de crescente hostilidade dos seus oponentes:
As sete parábolas de Mateus 13 sobre a natureza do reino de Deus (no final do segundo ano) foram ditas logo depois que os fariseus tinham recorrido a descartar os milagres de Jesus com a explicação de que eram demoníacos (Mateus 12:22-34).
As parábolas ditas depois da transfiguração (terceiro ano) são encontradas em Lucas, capítulos 10-16 e 18. Estas são sobre o reino, mas têm um impulso admonitório e um tom de controvérsia, em resposta à crescente inimizade dos fariseus.
Há oito parábolas (Mateus 18, 20-22, 24, 25 e Lucas 19) nas quais o elemento controvérsia domina e o aspecto evangelista recua. Elas pegam o tema de julgamento.
A. B. Bruce (The Parabolic Teachings of Christ) as vê também naturalmente divididas em três grupos, mas de acordo com a obra de Jesus como Mestre, Evangelista e Profeta.
As parábolas de ensinamento têm a ver com a obra do Senhor no treinamento dos Doze: parábolas sobre o reino (Lucas 11:5-8 e 18:1-8); e três parábolas que se relacionam com o labor e o galardão no reino: Trabalhadores da vinha (Mateus 20:1-16), Talentos (Mateus 24:24), Minas (Lucas 19:12).
As parábolas de evangelismo incluem aquelas que mostram o amor de Deus pelos pecadores: Os dois pecadores (Lucas 7:40). Ovelha perdida, moeda perdida, filho perdido (Lucas 15). O fariseu e o publicano (Lucas 18:9-14). A Grande Ceia (Lucas 14:16), o Bom Samaritano (Lucas 10:30), o Administrador Infiel (Lucas 16:1). O Credor Incompassivo (Mateus 18:23).
As parábolas proféticas contêm mensagens de julgamento divino e incluem: A Figueira Estéril (Lucas 13:6). Os Lavradores Maus (Mateus 21:33). Casamento do Filho do Rei (22:1). Dez Virgens (25:1). Rico Tolo (Lucas 12:16).
Ainda que a análise de Bruce não seja exata, ela nos dá algumas sugestões úteis sobre como relatar o que Jesus estava tentando fazer durante os meses de encerramento de sua obra, quando tantas forças estavam chegando a uma convergência final.
Lições que apagaram as luzes
Série Parábolas de Jesus
Por que parábolas?
Quando Jesus, chegando ao fim do Seu segundo ano de pregação pública, derramou à beira do Mar da Galiléia aquela maravilhosa série de parábolas ilustrando a natureza do reino do céu, seus discípulos ficaram tão confusos com elas que lhe perguntaram em particular, "Por que lhes falas por parábolas?" (Mateus 13:10; Marcos 4:10).
As parábolas tinham certamente um lugar especial na última fase do ensinamento de Jesus, mas não eram unicamente dele. Elas aparecem freqüentemente no Velho Testamento (veja 2 Samuel 12:1-4), especialmente nos profetas (Isaías 5:1-2; Ezequiel 17:1-10), e foram um método familiar de ensinamento entre os rabis do próprio tempo de Jesus. O que, então, deve ter surpreendido os discípulos não foi seu desconhecimento de parábolas, mas a súbita mudança para uma abordagem de Seu Mestre até ali desconhecida. Jesus atribui a mudança no ensinamento a uma mudança na atitude de Seus ouvintes.
Mateus diz que Jesus falava por parábolas em cumprimento da profecia: "Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos" (Mateus 13:34-35; Salmo 78:2). O propósito das parábolas era revelar as verdades ocultas do reino de Deus, porém não a todos. Ao coração honesto, estas histórias ilustrativas trariam mais luz mas, aos orgulhosos e rebeldes, elas criariam mais confusão (Mateus 13:11-17). Esse é o significado da declaração de Jesus que "Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido" (Mateus 13:11). Isto não tem referência a alguns tipos de predestinação calvinista arbitrária, mas a um princípio que enche as páginas do Velho Testamento. Isaías fala fortemente disso. "Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos" (Isaías 57:15). "... mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra" (Isaías 66:2). E quanto ao orgulhoso, Isaías diz que na vinda do reino messiânico "Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a sua altivez será humilhada..." (Isaías 2:11).
A passagem que Jesus cita para explicar sua súbita reversão a parábolas (Isaías 6:9-10) fala da degradação espiritual dos israelitas, do orgulho e da teimosia de coração que tornaram impossível para eles continuar a ouvir e entender as palavras de Deus. Jesus diz simplesmente que era uma profecia que tinha sido liberalmente cumprida em seus próprios ouvintes. Toda a sabedoria que eles ouviram de sua boca e todas as maravilhas que viram de sua mão nada tinha significado porque "o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos, e fecharam os olhos;" (Mateus 13:15).
As parábolas eram um abanador nas mãos do Filho de Deus, que limparia sua eira da palha enquanto purificava o trigo. Elas eram uma penetrante espada de dois gumes para determinar se o coração de Seus ouvintes era orgulhoso ou humilde, teimoso ou contrito (Hebreus 4:12). Esse é o significado de seu "Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado" (Mateus 13:12). Aqueles que possuíam humildade mental estavam destinados a ter um entendimento rico e verdadeiro do reino do céu, mas aqueles que não tinham nada, ou pouco desse espírito, estavam destinados a perder até o pouco entendimento que tinham.
O evangelho do reino está assim moldado para atrair e informar os humildes, enquanto afasta e confunde os orgulhosos. Ouvir a palavra de Deus é uma experiência dinâmica. Seremos ou melhores ou piores por ela. O mesmo sol que derrete a cera endurece a argila. Mas isso é a escolha que o estudante, não o mestre, faz. As parábolas não tornarão orgulhoso um coração humilde, mas podem tornar humilde um coração orgulhoso, se estivermos dispostos a permiti-lo. Isso, certamente, é o desejo maior do Salvador dos homens.
O significado das parábolas nem sempre foi patentemente evidente, mesmo para o coração humilde, mas a mesma história que afastou o altivo rindo presunçosamente, trouxe de volta o humilde fazendo perguntas. Os discípulos de Jesus não entenderam porque Ele começou subitamente a ensinar exclusivamente por parábolas (Mateus 13:10, 34-35), ou o que Suas histórias incomuns significavam, mas tinham aquela simplicidade de coração que os trouxe de volta pedindo mais informação (Mateus 13:36; Marcos 4:10; Lucas 8:9). Também temos essa escolha. Quando somos confrontados com alguma declaração desafiadora da Escritura, podemos tanto sair em desespero e confusão, ou ficar ali pacientemente para aprender mais. Nossa resposta revelará se nos é dado saber os mistérios do reino de Deus e que tipo de coração temos.
Quando Jesus, chegando ao fim do Seu segundo ano de pregação pública, derramou à beira do Mar da Galiléia aquela maravilhosa série de parábolas ilustrando a natureza do reino do céu, seus discípulos ficaram tão confusos com elas que lhe perguntaram em particular, "Por que lhes falas por parábolas?" (Mateus 13:10; Marcos 4:10).
As parábolas tinham certamente um lugar especial na última fase do ensinamento de Jesus, mas não eram unicamente dele. Elas aparecem freqüentemente no Velho Testamento (veja 2 Samuel 12:1-4), especialmente nos profetas (Isaías 5:1-2; Ezequiel 17:1-10), e foram um método familiar de ensinamento entre os rabis do próprio tempo de Jesus. O que, então, deve ter surpreendido os discípulos não foi seu desconhecimento de parábolas, mas a súbita mudança para uma abordagem de Seu Mestre até ali desconhecida. Jesus atribui a mudança no ensinamento a uma mudança na atitude de Seus ouvintes.
Mateus diz que Jesus falava por parábolas em cumprimento da profecia: "Abrirei os lábios em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos" (Mateus 13:34-35; Salmo 78:2). O propósito das parábolas era revelar as verdades ocultas do reino de Deus, porém não a todos. Ao coração honesto, estas histórias ilustrativas trariam mais luz mas, aos orgulhosos e rebeldes, elas criariam mais confusão (Mateus 13:11-17). Esse é o significado da declaração de Jesus que "Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido" (Mateus 13:11). Isto não tem referência a alguns tipos de predestinação calvinista arbitrária, mas a um princípio que enche as páginas do Velho Testamento. Isaías fala fortemente disso. "Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos" (Isaías 57:15). "... mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra" (Isaías 66:2). E quanto ao orgulhoso, Isaías diz que na vinda do reino messiânico "Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a sua altivez será humilhada..." (Isaías 2:11).
A passagem que Jesus cita para explicar sua súbita reversão a parábolas (Isaías 6:9-10) fala da degradação espiritual dos israelitas, do orgulho e da teimosia de coração que tornaram impossível para eles continuar a ouvir e entender as palavras de Deus. Jesus diz simplesmente que era uma profecia que tinha sido liberalmente cumprida em seus próprios ouvintes. Toda a sabedoria que eles ouviram de sua boca e todas as maravilhas que viram de sua mão nada tinha significado porque "o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos, e fecharam os olhos;" (Mateus 13:15).
As parábolas eram um abanador nas mãos do Filho de Deus, que limparia sua eira da palha enquanto purificava o trigo. Elas eram uma penetrante espada de dois gumes para determinar se o coração de Seus ouvintes era orgulhoso ou humilde, teimoso ou contrito (Hebreus 4:12). Esse é o significado de seu "Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado" (Mateus 13:12). Aqueles que possuíam humildade mental estavam destinados a ter um entendimento rico e verdadeiro do reino do céu, mas aqueles que não tinham nada, ou pouco desse espírito, estavam destinados a perder até o pouco entendimento que tinham.
O evangelho do reino está assim moldado para atrair e informar os humildes, enquanto afasta e confunde os orgulhosos. Ouvir a palavra de Deus é uma experiência dinâmica. Seremos ou melhores ou piores por ela. O mesmo sol que derrete a cera endurece a argila. Mas isso é a escolha que o estudante, não o mestre, faz. As parábolas não tornarão orgulhoso um coração humilde, mas podem tornar humilde um coração orgulhoso, se estivermos dispostos a permiti-lo. Isso, certamente, é o desejo maior do Salvador dos homens.
O significado das parábolas nem sempre foi patentemente evidente, mesmo para o coração humilde, mas a mesma história que afastou o altivo rindo presunçosamente, trouxe de volta o humilde fazendo perguntas. Os discípulos de Jesus não entenderam porque Ele começou subitamente a ensinar exclusivamente por parábolas (Mateus 13:10, 34-35), ou o que Suas histórias incomuns significavam, mas tinham aquela simplicidade de coração que os trouxe de volta pedindo mais informação (Mateus 13:36; Marcos 4:10; Lucas 8:9). Também temos essa escolha. Quando somos confrontados com alguma declaração desafiadora da Escritura, podemos tanto sair em desespero e confusão, ou ficar ali pacientemente para aprender mais. Nossa resposta revelará se nos é dado saber os mistérios do reino de Deus e que tipo de coração temos.
31 de out. de 2011
Série Oração
Paulo, o apóstolo que orava!
Paulo era um homem de oração! As suas cartas estão repletas de referências que apontam para isso.
Ele orava por cada localidade. Orava por pessoas específicas. Orava pelos presbíteros. Orava por situações que chegavam a ele e orava com objetivos definidos. Ele orava! Orava por tudo e por todos. Um apóstolo de oração! Ele orava pelo geral, mas também pelo específico!
Concluímos então, que o ministério apostólico, seguindo o exemplo de Paulo, é prioritariamente ministrar diante do Senhor a favor das cidades, pessoas e circunstâncias. Esse é o maior e principal serviço do apóstolo! É um labor e requer perseverança e sacrifício!
Se aspiramos o ministério apostólico, precisamos gastar muito tempo na presença do Senhor.
At 6.4 -… e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.
At 6.4 -… e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.
TEXTOS:
Rm 1:9-10 Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como incessantemente faço menção de vós em todas as minhas orações, suplicando que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de visitar-vos.
Rm 10:1 Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos.
2Co 13:7 Estamos orando a Deus para que não façais mal algum, não para que, simplesmente, pareçamos aprovados, mas para que façais o bem, embora sejamos tidos como reprovados.
Ef 1:16 Não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,
Ef 3:14-21 Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!
Fp 1:4 fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações,
Fp 1:9-11 E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.
Cl 1:3 Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós,
Cl 1:9-12 Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria, dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz.
Cl 4:12 Saúda-vos Epafras, que é dentre vós, servo de Cristo Jesus, o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus.
1Ts 1:2 Damos, sempre, graças a Deus por todos vós, mencionando-vos em nossas orações e, sem cessar,
1Ts 3:10 orando noite e dia, com máximo empenho, para vos ver pessoalmente e reparar as deficiências da vossa fé?
2Ts 1:11-12 Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé, a fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vós, e vós, nele, segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.
1Tm 2:1-4 Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.
2Tm 1:3 Dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consciência pura, porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas orações, noite e dia.
Fm 1:4 Dou graças ao meu Deus, lembrando-me, sempre, de ti nas minhas orações.
24 de out. de 2011
Série Oração do Pai Nosso.
Pai Nosso, Que Estás nos Céus
Através de toda a grande mensagem da montanha, Jesus ressaltou a relação íntima que seus discípulos deveriam ter com um Deus pessoal. Nunca isso é visto tão claramente quanto em seu uso do termo "Pai". Quatorze vezes no sermão ele usa a relação mais pessoal conhecida pelo homem (relação entre pai e filho) para descrever a intimidade que deveria existir entre Deus e os cidadãos do seu reino.
"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso…." Jesus não está aqui falando da relação universal que todos os homens têm com Deus, por meio da criação, como no caso de Atos 17:28-29. Pelo seu uso do "Pai nosso", ele fala daquela relação especial estabelecida pela fé e continuada pela submissão à vontade divina (Mateus 7:21). Esta é a oração do discípulo. Esta é a oração do "filho de Deus" renascido. Somente aqueles que receberam o evangelho do reino são previlegiados para orar "Pai nosso.…" Para os judeus da época, chamar Deus de pai era um escândalo, para Jesus chamar Deus de PAi era o mínimo de um relacionamento.
O grande valor desta oração é que ela define imediatamente todas as relações na vida.
Ela estabelece nossa relação com o mundo invisível. O mundo pagão está cheio de muitos deuses, todos os quais são vistos como ciumentos, rancorosos e hostis. Todos os deuses precisam ser aplacados, contentados e pacificados. O resultado é óbvio: o adorador de múltiplos deuses vive no temor de omitir um deus (Atos 17:23) e, como resultado, é assombrado pela religião, em vez de ser ajudado. Contudo, o cristão sabe que há um Deus: Um Deus que tem o coração terno, amoroso, de um "Pai". Em vez de tremer de medo diante de um bando de deuses mal-humorados, encontramos descanso no amor e cuidado de nosso Pai.
Ela define nossa relação com o mundo visível. A vida é dura. Há crises e mudanças que desafiam a nós todos. Como posso agüentar? Como posso sobreviver às tempestades da vida? A resposta é encontrada nas duas primeiras palavras desta oração:"Pai nosso". Tudo se torna mais brilhante e mais suportável quando sei que há alguém a quem posso recorrer por cada temor, cada ferimento, e cada decepção (1 Pedro 5:7).
Ela estabelece nossa relação com nossos irmãos. Jesus nos lembra que Deus é "Pai" de nós todos: "Pai nosso…" Esta própria frase deverá eliminar o egoísmo no reino. O mesmo Pai que cuida de mim, cuida também de você. O resultado, como poderia eu ter sentimentos de amargura e ódio para com aqueles que partilham a mesma relação que eu? Você vê, a única coisa que nos torna irmãos é que temos um Pai em comum.Abençoado seja nosso laço mútuo. Ele nos liga por causa daquele que é o " Pai nosso".
Ela define nossa relação conosco. Não posso falar por você, mas sou o pior crítico de mim mesmo. De fato, é muito fácil cair em cima de si mesmo. Você percebe o que Jesus está dizendo? Deus lhe devolverá seu respeito próprio! Você pode pensar que é um João-ninguém sem valor, que você não interessa a ninguém. Jesus diz: "Você está errado! Deus se importa com você!" Que emoção saber que Deus me conhece e me ama! E que eu posso chamar por ele a qualquer hora.
Então Jesus acrescentou: "Pai nosso, que estás nos céus…" Isso ressalta duas grandes verdades sobre Deus.
A primeira é a santidade de Deus. É fácil tornar sentimental toda a idéia da paternidade. É fácil ver a figura de Deus como um pai complacente que fecha os olhos aos pecados de seus filhos. Nosso Pai não é assim. É verdade, ele é amoroso, cuidadoso e clemente, mas é também nosso Pai "que estás nos céus". O céu é um lugar de santidade porque Deus é santo (1 Pedro 1:14-16). Nosso Pai não deixa o pecado impune. Ele não tolera a desobediência de seus filhos. Sua santidade exige que sejamos santos.
A segunda é o poder de Deus. Todos conhecem em primeira mão as frustrações do amor humano, seja ele do pai com um filho desviado, ou da esposa com um companheiro irresponsável. Em todos os casos de amor frustrado, voltamo-nos para nosso pai "nos céus". O fato de ele estar "nos céus" prova que há um poder maior do que é possível na terra (Efésios 3:20). "Pois nada é impossível para Deus". Jamais esqueça que por trás de seu amor infinito há um poder invencível.
"Ore, então, assim: Pai nosso que estás nos céus…" Um começo simples para uma oração simples. Que previlégio é ser seu filho!
Continua...
A divindade de Jesus Cristo-Parte 2
A divindade de Jesus Cristo
[Nota do redator: Esta é a segunda de duas partes de um estudo sobre a divindade de Jesus. Por envolver pesquisas detalhadas e argumentos técnicos, todas as obras citadas, mesmo as em outras línguas, nas duas partes aparecem na bibliografia no final desta segunda parte. A primeira parte foi publicada na edição anterior desta revista.]
Testemunho do Novo Testamento
Até este ponto, têm sido considerados os textos que têm tremendas implicações. Agora nos voltamos para alguns textos mais específicos que se referem a Jesus como Deus e afirmam que ele é, de fato, o Criador. Se puder ser demonstrado que Jesus é o Criador e o mantenedor do mundo, de acordo com a Bíblia, então teremos demonstrado que a Bíblia ensina que Jesus é divino. Mais ainda, se há passagens específicas que se referem a Jesus em termos especiais identificando-o como Deus, então o ensinamento bíblico sobre Jesus ficará claro.
Jesus é o Criador e Mantenedor?
Alguns acreditam que a Bíblia ensina que Jesus é um ser criado. Alguma consideração já tem sido dada a isto. Outras passagens verificam que Jesus não foi criado. Por exemplo, Miquéias 5:2 fala do Messias como sendo “dos dias de eternidade,” ou “de eternidade a eternidade.” Isaías 9:6 fala do Messias como o “Pai eterno.” Isto não identifica Jesus com sendo a mesma pessoa que o Pai; identifica-o como o Criador, o originador. Ele é chamado “eterno.” Ainda que o Messias tenha nascido neste mundo no “tempo,” sua existência como um ser não teve um início. Esta foi pelo menos uma parte da declaração que Jesus fez quando disse aos judeus: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8:58). As Escrituras se referem a Jesus como o Criador. Colossenses 1:15-16 fala de Jesus como o “primogênito de toda a criação”, o que, como foi antes considerado, significa que Jesus é preeminente sobre a criação. Por quê? Porque “nele foram criadas todas as cousas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele”. É evidente que, se Jesus criou “todas as coisas,” é porque ele fica fora da classe dos seres criados. João 1:3 diz: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Se esta afirmação é verdadeira, então Jesus é o Criador, não a criatura. Portanto, Jesus é o Deus Criador, de acordo com a Bíblia.
As Escrituras também ensinam que Jesus é o mantenedor de todas as coisas. Voltando ao contexto de Jesus como o Criador, a Bíblia afirma que “ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste” (Colossenses 1:17). A expressão “subsiste” (sunesteken) aqui indica “juntar ou manter junto algo em seu lugar próprio ou apropriado ou relação apropriada” (Louw e Nida 614). “Todas as coisas são dependentes do Filho para sua continuação em existência” (Reymond 248). Isto ensina que Jesus é o sustentador do que ele criou. Hebreus 1:3 afirma que Jesus “sustenta todas as coisas pela palavra de seu poder”. Aqui Jesus é descrito como aquele que faz todas as coisas continuarem. Assim, estas passagens ensinam que Jesus é aquele que preserva e sustenta todas as coisas. Elas implicam que Jesus é Deus, atribuindo a ele qualidades divinas.
Jesus é chamado “Deus”
Outras Escrituras são ainda mais explícitas em sua afirmação da divindade de Jesus. Ele é referido como “Deus” em diversos versículos específicos. Nesta parte, algumas dessas passagens serão brevemente citadas.
Œ João 1:1-18. João 1:1 diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Há três pontos afirmados neste versículo. Primeiro, o “Verbo” já estava em existência quando o tempo e a criação começaram; segundo, o Verbo estava sempre em comunicação com o Pai, e terceiro, o Verbo sempre participou da divindade. “O Verbo era Deus” é uma declaração que afirma a natureza divina do Logos. Theos, que aqui é anarthrous [substantivo usado sem o artigo], descreve a natureza do Logos, em vez de identificar sua pessoa. Jesus como o Logos é pessoalmente indistinto do Pai (vers. 1b), contudo é uno com o Pai em natureza (vers. 1c) (Harris 93). Neste versículo, então, o Novo Testamento está ensinando a respeito da divindade de Jesus. “Aqui, então, João identifica o Verbo como Deus (totus deus) e assim fazendo atribuir a ele a natureza ou essência da divindade” (Reymond 304). Isto não significa que deveria ser traduzido como “o Verbo era divino,” como alguns têm feito. Que “o Verbo” é uma referência a Jesus é facilmente visto no contexto. O versículo 14 diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. O contexto identifica mais adiante o “Verbo” como Jesus (vers. 15-17).
João 1:18 tem alguma dificuldade ligada a ele. A segunda parte do versículo, “o Deus unigênito, que está no seio do Pai,” tem algumas variantes nos manuscritos gregos. A alternativa mais notável é “o Filho unigênito.” Como foi explicado antes, “unigênito” se refere a unicidade (uno e único). A maioria dos críticos, contudo, “concorda que monogenes theos era o escrito original” (Harris 93). Reymond indica: “O respeitável crítico textual precisa admitir que a evidência aponta muito decisivamente em favor de um theos original” (306). Parece que haja uma pequena dúvida, em termos da evidência dos manuscritos, sobre o uso aqui da expressão que significa “uno e único Deus”. Se for o sentido original, seria então outra instância de ensinamento a respeito da divindade de Jesus. Contudo, uma vez que esta passagem tem em si alguma ambigüidade, seria difícil repousar um caso inteiro nela. Em ambos os casos, ela não contradiz o resto do testemunho do Novo Testamento da divindade de Jesus.
João 20:28. A Bíblia registra que, depois que Jesus se levantou dentre os mortos e apareceu aos seus discípulos pela primeira vez, Tomé não estava presente. Quando ouviu que Jesus fora visto, Tomé duvidou, e disse que teria que vê-lo por si mesmo para que cresse nisso. Jesus apareceu a eles novamente, e quando Tomé ficou convencido, respondeu a Jesus: “Meu Senhor e meu Deus”. Alguns têm tomado esta como uma exclamação de louvor a Deus (não a Jesus). Contudo, o texto afirma que Tomé disse isto “a ele.” Ele estava se dirigindo a Jesus como Senhor e Deus. Outros têm dito que esta foi uma exclamação num momento de excitação. Contudo, não há registro de uma repreensão de Jesus. Ele aceitou esta saudação e levou-a um passo adiante”: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram” (vers. 29). Isto se torna a base para a declaração de João do motivo porque ele escreveu o livro (vers. 30-31). Não pode haver dúvida de que Jesus dê evidência aqui, por sua aceitação expressa da apreciação dele por Tomé, que ele era em seu próprio entendimento seu Senhor para ser servido e seu Deus para ser adorado” (Reymond 213). “Em nenhum outro lugar no Novo Testamento Jesus é identificado mais claramente como Deus” (Erickson 461). Esta declaração de Tomé, como está, é por si mesma um tremendo testemunho do ensinamento do Novo Testamento da divindade de Jesus.
Ž Romanos 9:5. Paulo escreveu a respeito dos israelitas: “... deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre.” A NVI traduz como “Cristo, que é Deus acima de todos, bendito para sempre”. Ainda que alguns tenham tentado fazer “Deus bendito para sempre” separado do contexto como uma doxologia dirigida ao Pai, “é muito mais natural considerar as palavras finais do versículo como uma descrição ou doxologia do Messias, Jesus Cristo” (Harris 95). Esta passagem, na sua leitura mais natural do texto grego, atribui plena divindade a Jesus Cristo. Ele permanece como o Senhor e dominador do universo, e merece pleno louvor. O argumento de Paulo neste contexto é que ainda que muitos companheiros israelitas tivessem rejeitado Jesus como Messias, Jesus é, realmente, supremo sobre o universo e, como Deus, merece ser servido e louvado. Nenhuma Cristologia mais alta pode ser encontrada.
Tito 2:13 e 2 Pedro 1:1. Estas duas passagens podem ser consideradas juntas por causa de sua frase idêntica: “Deus e Salvador” (theou kai soteros). Em ambas as passagens, “Jesus Cristo” é o objeto da frase. Alguns argumentam que “Salvador” se aplica a Jesus, mas “Deus” é uma referência ao Pai: “Deus (o Pai) e Salvador Jesus Cristo.” Contudo, isto não é apoiado pela construção grega. Esta frase é aplicada a uma pessoa: Jesus Cristo. Primeiro, esta é a leitura mais natural do texto. Segundo, os dois nomes ficam sob um artigo, que precede “Deus.” Isto indica que eles têm que ser construídos juntos, não separadamente. E mais, esta frase foi uma fórmula comum e sempre denotou uma divindade, não duas pessoas separadas. Quando ambos Paulo e Pedro usaram a frase, então, “seus leitores sempre a entenderiam como uma referência a uma só pessoa, Jesus Cristo. Simplesmente não ocorreria a eles que ‘Deus’ pudesse significar o Pai, com Jesus Cristo como o ‘Salvador’” (Harris 96-97). O que isto tudo significa é que Pedro e Paulo entenderam que Jesus era ambos, “Deus e Salvador”.
Hebreus 1:8. Em Hebreus 1 há um contraste entre o Filho e os seres angelicais. Isto mostra a superioridade do Filho sobre os anjos. Para defender este ponto, é feito o argumento que Jesus é o único Filho (vers. 5). Ele tem de ser adorado, até mesmo pelos anjos (vers. 6). Então, no versículo 8 o próprio Pai chama Jesus Deus: “do Filho ele diz, teu trono, ó Deus, é para todo o sempre”. Ainda que haja alguma controvérsia envolvendo se “ó Deus” é ou não para ser construído vocativamente (como na maioria das traduções) ou como um nominativo (“Deus é teu trono”) ou como predicado nominativo (“teu trono é Deus”), a avassaladora maioria dos gramáticos, comentaristas, autores de estudos gerais e traduções para o inglês dão força a este vocativo (Reymond 296). Na passagem da qual isto é tirado (Salmo 45:6), o vocativo é visível. Os versículos 10 e 11 são ligados aos versículos 8 e 9 pela conjunção kay, que indica que estes versículos caem sob a mesma introdução que os versículos 8-9. No versículo 10, Jesus é saudado como “Senhor”, o que também liga-o com Yahweh (Salmo 102). Isto fortalece a decisão para “ó Deus” ser entendida vocativamente no versículo 8. Isto significa que o Filho é saudado como “Deus” nestes versículos, num sentido ontológico.
A consideração das passagens precedentes mostra que o Novo Testamento atribui consistentemente divindade a Jesus Cristo. Pelo menos quatro escritores – João, Paulo, Pedro e o autor de Hebreus – usam o título “Deus” com referência a Jesus. O uso deste título foi primitivo, começando pouco tempo depois da ressurreição (Tomé) e continuando até o final do primeiro século. Os escritos, dirigidos a várias pessoas, foram espalhados através de várias regiões, incluindo a Grécia, a Judéia e Roma. Entre o título de Deus aplicado a Jesus, as declarações de Jesus e o resto das Escrituras que implicam sua divindade, o Novo Testamento está repleto de ensinamento sobre Jesus sendo Deus. Se a pessoa deseja ou não aceitar isto, é outro assunto. Se a pessoa aceita a Bíblia como verdade, então ela precisa também aceitar que Jesus é Deus.
Há duas passagens que ainda não foram consideradas, ambas as quais têm ponto de vista significante sobre o ensinamento do Novo Testamento a respeito da divindade de Jesus. São Colossenses 2:9 e Filienses 2:1-11. Elas merecem consideração especial.
Colossenses 2:9
“...porquanto nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. Este único versículo, “além de todos os outros no Novo Testamento, afirma que cada atributo divino é encontrado em Jesus” (Harris 66). Ele não diz que “muita” ou “alguma” divindade mora nele, mas a “plenitude da divindade”. Todo elemento que existe como divindade está em Cristo, de acordo com este versículo.
Neste contexto, Paulo fala de “filosofia e vãs sutilezas, de acordo com a tradição dos homens” e “conforme os rudimentos do mundo” como sendo contrários a Cristo (vers. 8). A afirmação no versículo 9, “... porquanto nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”, foi feita para se contrapor a estas vãs filosofias e dar uma fundação sobre a qual se pode ser completo em Cristo. Uma das filosofias contra as quais os escritores do Novo Testamento falaram foi a doutrina gnóstica, que negava que Deus poderia realmente vir na carne. Os gnósticos acreditavam que a matéria era inerentemente má, e a partir disto raciocinavam que Deus não poderia morar num corpo carnal. João abordou este mesmo problema (1 João 4:2; 2 João 7). Os gnósticos ofereceram uma filosofia adicional. Paulo responde que Cristo é suficiente para fazer alguém completo porque nele está a plenitude da divindade, e ele está acima de tudo porque ele criou tudo. Assim, Colossenses 2:9 afirma que a plenitude da divindade realmente estava em Cristo, não importa o que os filósofos gnósticos, ou quem quer que seja, ensinasse. Nada mais era necessário. Esta, por sua vez, era a base sobre a qual os cristãos deveriam agir. “Por que seus leitores têm que ‘andar’ em Cristo para ‘ficar em guarda’ de modo que ninguém os faça cativos por meio da busca de conhecimento que procede da filosofia humana e da tradição?” (Reymond 249-250). A resposta está no versículo 9.
O termo “plenitude” (pleroma) significa “quantidade total, com ênfase na totalidade” (Louwn e Nida 597). “Mora” (katoikei) indica o assentamento em um lugar fixo. É “estar em casa”. Vincent aponta que o tempo presente de “mora” denota “uma característica eterna e essencial do ser de Cristo. A moradia da plenitude divina nele é característica dele como Cristo, desde todas as eras até todas as eras” (487). O que está permanentemente “em casa” em Cristo é a “totalidade” da divindade. A palavra “deidade” (theotes) é o mesmo que “divindade” em várias traduções. O termo significa “a natureza ou estado de ser Deus” (Louw e Nida 140). É isso que é Deus, o estado de divindade. Esta afirmação não está simplesmente dizendo que Jesus é Deus em sua pessoa, mas que ele é tudo o que é Deus. A natureza divina completa está em casa em Cristo.
Há dois significados compulsivos alternativos no termo “corporal” (somatikos) neste contexto. O primeiro é que ele significa “corporalmente,” uma referência ao corpo físico, humano, de Cristo. “A palavra refere-se ao corpo humano de Cristo” (Reinecker 573). Tomada neste sentido, aqui está uma afirmação do conceito que Jesus era plenamente Deus mesmo quando humano. A plenitude da divindade se tornou encarnada. Ao vir a este mundo, não houve nenhuma mudança em sua divina natureza. Tudo o que ele é como Deus continuou a morar em sua forma corpórea. O segundo significado possível de “corporal” é “incorporado” ou concentrado numa forma visível, tangível. Neste sentido, a idéia é que à plenitude da divindade foi dada expressão completa através de Jesus. Ele era “completamente” e “substancialmente” Deus e, portanto, plenamente incorporou a natureza divina. Isto ainda incluiria o tempo que Jesus passou na terra, como a palavra “mora” indica. Eu prefiro tomar o termo pelo que aparenta ser para referir à encarnação de Jesus. Em qualquer caso, contudo, este versículo mostra uma alta Cristologia. A passagem ensina que Jesus é divino.
Filipenses 2
Uma das passagens mais controversas da Bíblia é Filipenses 2:5-8. Tem havido muitas explicações para a passagem; e as diferenças de interpretação são significativas. O modo como se interpreta a passagem afeta seu ponto de vista de Jesus Cristo. Foi ele sempre Deus? Se ele era Deus anteriormente à encarnação, ele reteve sua natureza divina quando veio à terra? Se ele reteve sua divindade ao vir à terra, o que significa quando se diz que ele “esvaziou-se”? Ele deixou sua divindade para ser exatamente um homem comum? Todas as questões como estas têm tremendas implicações. É preciso ser cuidadoso ao considerar uma passagem como esta, evitando uma interpretação que não se ajuste bem com o resto do testemunho do Novo Testamento a respeito de Jesus.
É provável que Filipenses 2:6-11 contenha, pelo menos em parte, um hino primitivo (Reymond 251). Há desacordo sobre se este hino foi composição do próprio Paulo, ou se ele foi escrito antes de Paulo, que simplesmente usou o hino para servir aos seus propósitos nesta epístola. Em qualquer caso, é difícil negar que ele foi um hino primitivo. Neste texto estão as características estilísticas e hinárias, tais como paralelismo de pensamento, inversões, vocabulário incomum e estilo elevado (Reymond 252). Baseado em estudos anteriores de Lohmeyer, agora é geralmente aceito que “o que aqui [vemos] é uma confissão cristã primitiva que pertence à literatura de liturgia antes que prosa epistolar” (Martin 106). Se isto é verdade, então este é um forte argumento por uma alta Cristologia primitiva entre os cristãos do primeiro século. Mesmo que não fosse um hino, é ainda evidência que os cristãos primitivos tinham uma forte fé na divindade de Jesus.
Este é um texto no qual as palavras são muito cuidadosamente escolhidas. Cada palavra parece significante. Portanto, numa interpretação deste texto, as palavras precisam ser definidas e entendidas. Primeiro, contudo, uma consideração do texto completo está em ordem. Sem considerações contextuais, o texto pode facilmente ser mal entendido e mal aplicado. Parece que isto tem sido uma parte do problema que tem levado a algumas das controvérsias.
Não parece provável que alguém entenda os versículos 5-8 sem primeiro entender os versículos 1-4. No todo, a carta de Paulo aos filipenses é muito positiva. O único perigo que ameaçava a igreja, contudo, era a divisão. Estes versículos são escritos para tentar salvaguardar contra a desunião os cristãos dali. No versículo 1 Paulo apela para o encorajamento em Cristo, o poder do amor, o fato da camaradagem, e a necessidade de compaixão e afeição. Se um cristão entende e se empenha com estas coisas, então a unidade prevalecerá. Ele então apela para sua necessidade de ser “de um mesmo pensamento” e “tendo um mesmo sentimento” (vs. 2). Como isto pode ser feito? Ele responde nos versículos 3-4. Nestes versículos há três causas dadas para a desunião (Barclay 31): ambição egoísta, prestígio pessoal, e a concentração em si mesmo. Para os propósitos de explicar os versículos 6-7, deve-se notar especialmente estes versículos, pois eles servem de fundamento para o argumento de Paulo a respeito de Jesus. Barclay observa:
“Paulo está pleiteando com os filipenses para viverem em harmonia, porem de lado suas discórdias, deixarem suas ambições pessoais e seu orgulho e seu desejo de proeminência e prestígio, e terem em seus corações aquele desejo humilde e desprendido de servir, que foi a essência da vida de Cristo. Seu apelo final e irretorquível foi apontar para o exemplo de Jesus Cristo” (34-35).
Com os pensamentos precedentes em mente, Paulo apela para Jesus Cristo como o exemplo definitivo de alguém que nada fez por egoísmo ou vã presunção. “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (vs. 5). Este é o arremate final dos pontos de Paulo nos versículos 1-4: “aprendam a pensar exatamente como Jesus”. Isto também serve para introduzir o que Paulo está para dizer a respeito de Jesus. “Pensem como Jesus”, Paulo disse. O que Jesus pensou? O que ele fez para demonstrar sua despretensiosa atitude? Ele responde nos versículos seguintes.
O versículo 6 ensina que Jesus “existiu na forma de Deus” O termo “existiu” (sendo, huparchon) não é o termo usual para sendo (hon). Como um particípio presente, ele denota continuação de uma condição antecedente. Em outras palavras, Jesus é e sempre tem sido “em forma de Deus”. “Isso descreve aquilo que um homem é em sua própria essência e que não pode ser mudado. Isso descreve aquela parte de um homem que, em quaisquer circunstâncias, permanece o mesmo” (Barclay 35). Paulo começa afirmando que Jesus é inalteravelmente Deus. Seja o que for que Jesus esvaziou, não foi sua essência divina. Portanto, qualquer posição que ensine que Jesus deixou sua divindade não está sendo fiel a este texto.
O significado de “forma de Deus” tem sido acaloradamente debatido. Martin (96) dá dois significados alternativos para o termo “forma” (morphe). O primeiro é o entendimento mais tradicional e filosófico que “forma de Deus” significa atributos essenciais de Deus. Um segundo ponto de vista, mais recente, é que a frase tem uma forte ligação com a “glória” (doxa) de Deus; e assim Jesus deixou a glória da divindade, não necessariamente a essência da divindade, quando veio para a terra. Esta posição, contudo, parece carecer de prova. Outros consideram a “forma de Deus” como uma referência à aparência visível como Deus. Esta é outra posição insatisfatória, pois ela dificilmente pode significar a mesma coisa com referência à “forma de um servo”. Parece mais provável, contudo, que a “forma de Deus” seja uma referência à divina natureza, que inclui os atributos e características que fazem de Deus o que ele é, “que é inseparável de sua pessoa e que o ser divino se realiza em sua divina glória e atributos divinos imanentes, inerentes” (Muller 78 79). Warfield observou que a “forma de Deus” se refere a “todas aquelas qualidades características de Deus que fazem dele Deus, a presença das quais constitui Deus, e na ausência das quais Deus não existe. Aquele que está na forma de Deus é Deus” (567). Isto também seria verdadeiro quanto à “forma de um servo.” Jesus assumiu todas as qualidades características de servidão. Dizer, então, que Jesus “existiu na forma de Deus” é dizer que Jesus tem sido sempre Deus, com todas as qualidades que pertencem a Deus.
A seguir, Paulo diz que Jesus não “considerou a igualdade com Deus uma coisa a ser agarrada”. Isto, também, tem dado alguma dificuldade à interpretação abrangente do texto. Alguns tomam isto para significar que Jesus não considerava sua divindade como algo a ser segurado e, portanto, ele a abandonou ao vir à terra. Isto, contudo, contradiz o que Paulo tinha dito a respeito da natureza divina inalterável de Jesus. Primeiro, ele afirma que Jesus de fato tem “igualdade com Deus”. Isto, somente, é evidência do ensinamento bíblico da divindade de Jesus. Nada menos do que o próprio Deus pode ter “igualdade com Deus”. Mesmo enquanto estava na terra, Jesus declarou igualdade com o Pai (João 5:17-23). Esta igualdade é em natureza, não necessariamente no papel desempenhado. Neste papel, Jesus tomou uma posição subordinada (1 Coríntios 11:3). Em natureza, ele é igual ao Pai.
Teria Jesus considerado esta igualdade com Deus como algo a ser “agarrado”, ou como algo a ser “segurado”? Ambos os significados são possíveis com a palavra grega (harpogmos). Qual significado faz mais sentido no contexto? “Como quer que tomemos isto, ele mais uma vez ressalta a divindade essencial de Jesus” (Barclay 36). Como foi afirmado antes, não parece provável pelo contexto que isto signifique que Jesus gozou de igualdade com Deus mas dispensou-a ao se tornar um homem. Muitas outras passagens mostram que Jesus foi muito mais do que um homem. Parece mais provável que o significado seja que Jesus não se agarrou à igualdade com Deus através de algum exercício de sua própria vontade, separado do Pai. Diversos comentaristas vêem nesta afirmação um paralelo com o relato, em Gênesis, da queda de Adão e Eva. Baseado na afirmação da serpente, “serás igual a Deus”, o pecado de Adão e Eva foi, em essência, uma tentativa de agarrar a divindade. Através do exercício de sua própria vontade, separados de Deus, eles tentaram se tornar seus próprios deuses. Jesus não fez isto. Antes, ele voluntariamente submeteu-se à vontade do Pai, ainda que ele pudesse ter sido tentado a fazer sua própria vontade (cf. João 5:30; Mateus 26:39). Reymond argumenta que esta afirmação deveria ser interpretada contra o cenário de sua tentação em Mateus 4 (262). Ele escreve, “este ‘pensamento’ de ‘apreensão de igualdade’, isto é, a tentação de não mais caminhar na trilha do servo mas antes conseguir ‘o senhorio’ sobre ‘todos os reinos deste mundo’ (Mateus 4:8) por uma rota (um ato ‘rebelde’ de exaltação’) não mapeada para o servo no plano da salvação. Cristo Jesus resistiu firmemente” (263). Eu creio que este é o ponto de vista correto porque se ajusta melhor ao contexto anterior. Cristo não fez nada por egoísmo ou vã presunção mas, com humildade, estimou os outros como melhores do que ele mesmo. Nenhum ato mostrou esta atitude mais do que sua disposição a morrer.
Ao contrário de buscar igualdade com o Pai através do exercício de sua própria vontade, Jesus “esvaziou-se”. Isto está no ponto crucial da discussão a respeito da natureza de Jesus nesta terra. Umas poucas observações podem ser feitas sobre isto à luz dos comentários anteriores e do contexto inteiro:
Œ Qualquer posição que destrói efetivamente a divindade de Jesus é errada, porque ela contradiria não somente a passagem, mas também um grande número de outras passagens que afirmam sua divindade. Este é o efeito de uma posição que ensina que Jesus deixou seus atributos e características divinas. A natureza de uma coisa é os atributos e características que fazem-na o que ela é. Se Jesus não tivesse a natureza de Deus, ele não seria Deus (cf. Gálatas 4:8).
O texto não diz que Jesus se esvaziou “de” alguma coisa. Acrescentando “de” à frase, e então enumerando tudo o que ele supostamente deixou para vir à terra não é ser fiel ao texto. Isto é ler no texto o que ele não diz. Ele “esvaziou-se”. Ele não se esvaziou “de” um punhado de coisas.
Ž Insistir que “esvaziou-se” deverá ser tomado literalmente para significar que Jesus teve que despejar alguma coisa fora de si antes que pudesse tomar qualquer outra coisa é um abuso do texto. Diz o texto: “ele esvaziou-se tomando a forma de um servo cativo.” Isto se explica por si mesmo. A aceitação por ele da servidão foi um ato de auto-esvaziamento.
Uma boa comparação pode ser feita com Isaías 53, um texto que descreve o servo sofredor. Note no versículo 12 a frase: “Ele se derramou na morte”. Não tem isto uma tocante semelhança com “esvaziou-se”, e “humilhou-se, tornando-se obediente até a morte” (Filipenses 2:7-8)? Como o servo sofredor, ele esvaziou-se, derramou-se até a morte.
Novamente, o próprio contexto de Filipenses 2 mostra o que quer dizer com a frase “esvaziou-se.” O ponto de Paulo no texto é insistir com os irmãos para que sejam de um só sentimento, que sejam unidos e decididos por um único propósito (vers. 2). Para cumprir isto ele instrui: “Não façam nada por egoísmo ou vã presunção, mas com humildade de pensamento que cada um considere o outro como mais importante do que si mesmo; não olhe meramente para seus próprios interesses pessoais, mas também para os interesses dos outros” (vers. 3-4). Para atingir o ponto de desprendimento, precisa-se olhar para Jesus. Por quê? Porque ele é o exemplo perfeito destas instruções. Ainda que ele mesmo seja Deus, enquanto esteve na terra ele não se agarrou a sua divindade tentando, separado do Pai, exercer sua própria vontade independente. Antes, ele “esvaziou-se”, que é a frase perfeita para descrever a atitude dos versículos 3-4. Assim, o que significa que Jesus “esvaziou-se”? Jesus Cristo, em seu papel do servo, nada fez por egoísmo ou vã pretensão, mas em humildade de pensamento ele considerava os outros como mais importantes do que ele mesmo. Ele se interessava pelos interesses pessoais dos outros. Como ele fez isto? Em última instância, morrendo na cruz. Assim, o ponto de Paulo é que, como Jesus se esvaziou, assim todos temos que nos esvaziar. É simplesmente outro modo de dizer que precisamos negar a nós mesmos (Lucas 9:23), pois isto é o que Jesus fez quando cumpriu sua missão para o mundo perdido. Ele se pôs de parte para que tudo o que ele fez fosse desprendido. Marcos diz isso deste modo: “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10:45). Estas passagens dizem a mesma coisa.
‘ A idéia de que Jesus se esvaziou de atributos e características é completamente estranha ao argumento de Paulo. Ele aponta Jesus como nosso exemplo de auto-humilhação. Se Jesus esvaziou de si uma quantidade de atributos, então como podemos seguir seu exemplo? Não podemos despir-nos de nossa natureza humana. A linha de raciocínio que Paulo usa para dizer que deveremos ser altruístas se torna sem significado através de uma tal interpretação.
’ Muito simplesmente, então, o texto nos diz que deveremos esvaziar-nos. Deveremos negar a nós mesmos, não fazendo nada por egoísmo. Fazemos isto tomando a atitude de Jesus, o supremo exemplo de abnegação. Ele esvaziou-se. Como um servo, ele se submeteu completamente ao Pai e derramou-se na morte. Depois disso, ele foi exaltado. Se nós, também, nos humilharmos do mesmo modo, Deus promete que seremos exaltados (Tiago 4:10). Este é o ponto de toda esta passagem.
O texto ensina a divindade essencial de Jesus Cristo. Ensina que Jesus nada fez por egoísmo, e que ele é o exemplo supremo de abnegação. Ensina, ainda, uma Cristologia extremamente alta; não ensina que ele jamais fosse menos do que tinha sempre sido: Deus.
Outras considerações
É impossível sermos neutros sobre Jesus Cristo. De fato, aceitamos ou não aceitamos Jesus como o Filho de Deus. As implicações da posição que tomamos sobre Jesus alteram nossa vida. Se alguém aceita Jesus como o Filho de Deus, então precisa tomar a decisão de seguir ou não Jesus. Se alguém não aceita Jesus como o Filho de Deus, então a Bíblia é relegada como mito e fábula. Em conseqüência, esta pessoa não sentirá a necessidade de submeter-se aos ensinamentos da Bíblia. Nossa filosofia a respeito de Jesus determinará o curso da vida.
Há quem argumente que Jesus foi um bom homem, porém não foi o Filho de Deus. O problema com isto é que, se Jesus não era o Filho de Deus, então ele era um mentiroso. Se fosse um mentiroso, então como pode alguém argumentar que ele era um bom homem? Não se tem simplesmente a opção de chamar Jesus um bom homem. Teria de rejeitá-lo como uma fraude, porém não se pode ser neutro sobre ele. C. S. Lewis, um ex-agnóstico, expôs este problema com as seguintes palavras:
“Estou tentando aqui evitar que alguém diga a coisa realmente tola que pessoas freqüentemente dizem sobre ele: “Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre moral, porém não aceito sua declaração de ser Deus.” Esta é a coisa que temos que não dizer. Um homem que era meramente um homem e disse o tipo de coisas que Jesus disse não seria um grande mestre moral. Ele seria ou um lunático – no nível do homem que se diz ser um ovo frito – ou então seria o Diabo do Inferno. Temos que fazer nossa escolha. Ou este homem era, e é, o Filho de Deus, ou então é um louco ou algo pior. Podemos calá-lo como tolo, podemos cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou podemos cair-lhe aos pés e chamá-lo Senhor e Deus. Mas não venhamos com qualquer tolice como ‘panos quentes’ sobre ele ser um grande mestre humano. Ele não deixou isso aberto para nós. Ele não pretendeu deixar” (55-56).
Há quem objete contra o conceito que Jesus não poderia ser tanto Deus como homem. Qualquer atribuição de divindade a Jesus jamais foi levianamente considerada. Tem havido sempre tensões teológicas sobre a natureza de Jesus. O problema, eu creio, é que temos dificuldade em conciliar o Cristo de dupla natureza devido às nossas próprias limitações. Eu serei o primeiro a confessar que não entendo como isto poderia acontecer de outro modo que não por meio da aceitação do poder e conhecimento de um Criador. Se permitirmos que os documentos bíblicos apóiem-se em suas próprias evidências, eles parecem sólidos e bastante confiáveis. O problema aparece quando nossa fé é desafiada a aceitar algumas coisas que não são normais, nem ocorrências de todo dia nesta era científica moderna. Eu não creio que se possa dizer honestamente que é impossível para Deus vir na carne. Tal afirmação é equivalente a jactar-se de ter todo o conhecimento. Como podemos saber que Deus não poderia fazer isto a menos que, primeiro, assumamos que Deus não existe e, em segundo lugar, que Deus não pode “interferir” com sua própria criação? Obviamente, a fé desempenha um papel maior neste assunto; mas esta não é uma fé cega, como muitos alegam. Se podemos aceitar Deus pelo número de evidências que ele mesmo deixou, então podemos aceitar o que Deus tem feito por nós. Aceitação e pleno entendimento são dois assuntos diferentes.
Alguns que aceitam a existência de Deus negam a divindade de Jesus baseados em que há um único Deus. Eles rejeitam qualquer conceito de uma “Trindade.” Eu creio que nós todos temos um entendimento básico da possibilidade de haver “uma” de alguma coisa, e contudo essa alguma coisa pode ter elementos plurais. Por exemplo, uma equipe pode consistir de cinco, nove, ou onze jogadores num campo esportivo, dependendo do esporte. Um único casamento consiste de duas pessoas, e uma família pode ter muitos membros. Biblicamente, o conceito é confirmado. A Bíblia diz, a respeito do casamento, que dois “se tornarão uma só carne” (Gênesis 2:24). Dois se tornam um, contudo permanecem personalidades distintas. Ninguém argumentaria que eles formam dois casamentos. Qualquer comparação deste conceito com Deus é inadequada, mas pelo menos a idéia é compreensível. Há um Deus, um estado de divindade; mas há três personalidades distintas às quais a divindade é atribuída. Isto não faz três deuses; antes, há um Deus composto de três personalidades. Tire qualquer personalidade do quadro e a unidade de Deus é destruída.
Na maioria dos casos, parece que a rejeição de Jesus como o Filho de Deus é mais em bases filosóficas do que em bases históricas. É virtualmente impossível refutar a Bíblia em bases históricas. Rejeitar sua historicidade por causa de eventos ou mensagens que ela contém em bases filosóficas não é histórico. Francamente, ultimamente não tenho visto uma rejeição de Jesus em qualquer outra base.
Conclusão
O propósito deste estudo tem sido mostrar que a Bíblia, de fato, ensina que Jesus é Deus. Isto tem sido demonstrado por meio de numerosas passagens bíblicas. O Velho Testamento apóia o ensinamento da divindade de Jesus, e o Novo Testamento irresistivelmente ensina que Jesus é Deus. As Escrituras também confirmam que o entendimento de si próprio por Jesus é consistente com este ensinamento. Ainda que ele não tenha promovido sua própria identidade, ele fez declarações que são equivalentes a declarações de divindade. E, mais ainda, suas obras demonstraram sua identidade, e sua aceitação de adoração mostrou seu próprio entendimento. Em última análise, a ressurreição é a testemunha mais significativa da divindade de Jesus. Ela declara poderosamente que Jesus é o Filho de Deus (Romanos 1:4).
O resto do Novo Testamento retrata Jesus como divino. Ainda que a Bíblia ensine que Jesus era um ser humano, ela ensina que ele era muito mais do que isso. Ela atribui a ele a natureza essencial e caráter de divindade. Ela não ensina que ele deixou sua divindade quando veio à terra. Antes, ela ensina que Jesus tomou a natureza essencial de servidão; seu maior ato de serviço foi a dádiva de sua vida.
A questão sobre a identidade de Jesus não terminará tão cedo. Questões recentes sobre Jesus têm renovado muito da discussão. Seja qual for a posição com que se termine, ela será aceita através de algum processo de “fé”. Isto é inevitável. A questão permanece, contudo, sobre qual “é” a mais razoável. Baseado em considerações bíblicas, históricas e outras, eu escolhi crer que Jesus foi, e ainda é, Deus. Ele nunca pode ser menos do que isso.
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